segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Relacionamento homossexual

Difícil descrever e escrever sobre homossexualidade. Segundo Lacan a relação sexual não existe. Mas o que dizer de uma relação onde me relaciono comigo? Assim o é na homossexualidade. Eu me relaciono com o que aquele sujeito representa de mim, em mim e para mim.
Há nesse interím, um excesso de sofrimento, mas como toda pulsão é ambivalente, tem a dor mas também tem o gozo.
A homossexualidade se assemelha a anorexia - é o mais gozar "da", "na" retenção, proibição, transgressão.
O fato de se reter é gozo puro. O individuo não consegue se ver como sujeito.
O outro é o estruturante. O outro existe e você existe no outro, é o ver-se no outro, no espelho.
Sou eu que dou o significado para o outro, por isso me relaciono comigo mesmo.
O olhar do outro devolve a imagem do que eu sou mas não consigo ver por mim mesmo e sim através do outro. É o olhar que perpassa pelo outro que me traduz.
Se eu desejo é porque algo me falta. Por isso se recalca tanto os desejos. Nem todo desejo é para ser realizado, mas ele se mantém latente e isso independe de sua realização.
Só quando você perde ou o outro morre de fato, é que você pode idealizar. É a fase do luto.
Mas esse é um papo futuro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mosaicos

Somos mosaicos. mosaicos do presente, do passado e querendo ser do futuro. Pedaços de vestes que nos vestem, pedaços de pessoas que se foram e que estao conosco.
Somos mosaicos da sociedade, fazemos parte de um todo, somos partes de um todo.
Um todo solitário, um todo junto e separado, junto e misturado, mas no fim, um todo só.
Pedaços de um mosaico chamado vida. Somos colocados ali sem sermos perguntados se queremos e somos tirados sem aviso.
Algumas pessoas são mosaicos coloridos, outras são só cinza. refletem a cor e a dor de suas almas, de suas auras. Se é colorido demais incomodamos pelo brilho e variedade de cores. muitos querem que sejamos cinza de qualquer jeito, pra não destoar dos demais, da maioria.
Temos que ser tom bege, tom sobre tom, degradê, composê.
A difícil e impossivel arte de agradar a todos, nos salva; no fim somos todos mosaicos formados de inteiros.
Inteiros quebrados pela dor, pelo amor, pelo horror, pelo torpor que nos embriaga e se achega devagarinho e se acopla nos fazendo afinal mosaicos nublados, descorados, entorpecidos e cansados de tanto tentar não ser só mais um, mas ser - o mosaico.