segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Solidão virtual

Somos solitários virtuais, onde nos damos o luxo de termos agregado a nosso grupo de amigos 500, 600 ou mais pessoas que mal conhecemos, mal sabemos o que na verdade são.
Quem somos afinal?
O quê somos afinal, além de uma foto virtual, trabalhada em um estúdio onde "imperfeições" são encobertas, mascaradas e mescladas de outras performances que mal sabemos onde vai dar.
Enfim, pessoas irreais, com rostos artificiais, corpos malhados e sarados que abrigam almas dilaceradas, por relacionamentos mal resolvidos, assuntos mal acabados.
Mas o que seria de nós sem esses "amigos virtuais" onde conseguimos passar a imagem do ser perfeito, cheio de habilidades, totalmente construidos. É por que nessa atual vivência, não há mais lugar para os que sonham em ser um dia, realizar projetos. O eu sou já faz parte do discurso, o "eu quero ser" não pode existir. O mundo virtual não tem tempo para esse ser inacabado. O mundo virtual é um mundo mesclado de mentiras e suposições, habilidades mentais de grandes mentiras que parecem verdades, onde todos podem ser o que desejaram ou o que os outros querem que ele seja, mas nunca você mesmo. O ser você mesmo vai excluir metade ou mais de seus admiradores, não temos tempo neste mundo virtual de sermos nós mesmos, afinal temos que agradar ao outro e sermos aceitos por ele. E aí vem a verdade nua e crua de mais uma noite real na era virtual de solidão. Podemos fugir e fingir para os outros, mas em alguma hora teremos que olhar para nós mesmos, para o nosso espelho, o espelho de nossa alma. E esse espelho vai mostrar toda nossa deformidade e rugas de uma vida vivida, sofrida e amada, que há muito esquecemos de ver e de viver.

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