quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Filosofia - Homero, Civilização Micêniica, Consciência racional, mentalidade mitopoética, mentalidade teorizante, deuses.

Quando se fala em Filosofia e ou Filosofar, vemos algumas expressões bizarras, muxoxos e resmungos. Alguns ainda acreditam que filosofar é para Filósofos. Enganam-se, pois filosofar significa entre outras coisas questionar, argumentar, analisar, refletir. Em tempos ultra modernos onde a internet é capaz de viralizar noticias em milésimos de segundos, filosofar é transcender o cotidiano, o dia-a-dia comum a todos, é ter o olhar para além do ver. É ver além, é transpassar o que foi visto, é inquirir, ir a fundo com um não contentamento a uma simples resposta. Hoje, percebemos um mundo repleto de filósofos populares, filosofando sobre tudo e todos. No inicio da história, muito antes dos Filósofos gregos que hoje conhecemos existia uma Civilização Micênica, onde o Rei de Micenas, Agamemnon, lutou contra Tróia (guerra gregos contra gregos - troianos) ao lado de Ulisses. Essa civilização se desenvolveu ainda na Idade do Bronze, entre os séculos XXVII e XIII a.C., tendo,principalmente, a mentalidade mitopoética (fazedora de mitos). Muitos séculos se passaram até essa mentalidade ir de forma lenta e gradativa se transformando em uma mentalidade teorizante, ou seja, filosófica. Até então, tudo, os problemas diários, os fenômenos, os medos, eram explicado por meio de explicações fantasiosas do mundo, por meio de mitos. As tradições eram cantadas em praças públicas, nas Ágoras, (grandes praças), a céu aberto, oralmente contadas e recontadas, de forma poética, através dos tempos. Homero, foi um que se destacou com suas obras Ilíada e Odisséia, dois poemas épicos, consideradas como principais obras da antiguidade, onde contam sobre a interferência maléfica e ou benéfica dos deuses, como nas histórias da Guerra de Tróia (Aquiles x Páris) e das Aventuras de Ulisses ou Odisseu. A existência de Homero é questionada assim como a de Sócrates. Homero era cego e há controvérsias se ele viveu no século VIII a,C. ou IX a.C.. Interessante o fato de suas obras terem rompido as barreiras do tempo e se perpetuado para além dele até os dias atuais. Suas obras foram didáticas e importantes para as crianças da época, onde aprendiam desde muito cedo à respeito dos deuses, do homem, das guerras e da Civilização Micênica. Se ele existiu de verdade ou se é um personagem criado, lendário, parece ser o menos importante tamanha a importância de suas obras. Não se sabe ao certo a cidade onde nasceu, podendo ser em quaisquer desses locais da Grécia Antiga: Esmirna, Colofón, Atenas, Quios, Ítaca, Salamina, Rodas, e ou Argos. Homero, assim como Sócrates, nunca escreveu uma linha sequer, tendo suas obras escritas ou compiladas de tradições orais, por outros escritores antigos do mesmo período. Essa consciência mítica foi sendo aos poucos substituída, não em sua totalidade, mas concomitante a ela, surgia a consciência teorizante ou racional. Onde antes as pessoas eram tranquilizadas através da explicação simplista da ira dos deuses (mitos ou mitopoética), frente aos desconhecidos fenômenos da natureza, como secas, tempestades, pragas, males, epidemias, esterilidade feminina, entre outros, agora a mentalidade teorizante, viria a explicar de forma lógica, racional. Onde antes só existiam como recurso os rituais e cerimônias para agradar esses deuses coléricos, surge, gradativamente, uma busca para além desse pensamento mítico, limitador dos humanos e de sua racionalidade e habilidade para dar conta no campo do concreto, uma luz na caverna, chamado "milagre grego", como o aparecimento da escrita, da moeda, da lei e da polis (cidades-estado). Não se pode precisar o momento dessa transição do pensamento mítico para o pensamento racional e filosófico, pois um não invalida nem extermina o outro, mas tão-somente, possibilita que o mito não seja a única forma de se ver e compreender o homem e o mundo.

Professora Mª Dirce Barcelos Silva

Referências Bibliográficas:

BUCKINGHAM, Will; at all. O Livro da Filosofia. Editora Globo. São Paulo, 2011.
CABRAL, Cleides Antonio; Filosofia, Editora Pillares, São Paulo,2006.
READ,Rupert; Filosofia aplicada: política e cultura no mundo contemporâneo; São Paulo, Rosari,ed. 2009
SMITH, William. "Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. ed. (1870).

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega. 2ª Ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003

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