Quando se fala em
Filosofia e ou Filosofar, vemos algumas expressões bizarras, muxoxos
e resmungos. Alguns ainda acreditam que filosofar é para Filósofos.
Enganam-se, pois filosofar significa entre outras coisas questionar,
argumentar, analisar, refletir. Em tempos ultra modernos onde a
internet é capaz de viralizar noticias em milésimos de segundos,
filosofar é transcender o cotidiano, o dia-a-dia comum a todos, é
ter o olhar para além do ver. É ver além, é transpassar o que foi
visto, é inquirir, ir a fundo com um não contentamento a uma
simples resposta. Hoje, percebemos um mundo repleto de filósofos
populares, filosofando sobre tudo e todos. No inicio da história,
muito antes dos Filósofos gregos que hoje conhecemos existia uma
Civilização Micênica, onde o Rei de Micenas, Agamemnon, lutou
contra Tróia (guerra gregos contra gregos - troianos) ao lado de Ulisses. Essa civilização se desenvolveu
ainda na Idade do Bronze, entre os séculos XXVII e XIII a.C.,
tendo,principalmente, a mentalidade mitopoética (fazedora de mitos).
Muitos séculos se passaram até essa mentalidade ir de forma lenta e
gradativa se transformando em uma mentalidade teorizante, ou seja,
filosófica. Até então, tudo, os problemas diários, os fenômenos,
os medos, eram explicado por meio de explicações fantasiosas do
mundo, por meio de mitos. As tradições eram cantadas em praças
públicas, nas Ágoras, (grandes praças), a céu aberto, oralmente
contadas e recontadas, de forma poética, através dos tempos.
Homero, foi um que se destacou com suas obras Ilíada e Odisséia,
dois poemas épicos, consideradas como principais obras da
antiguidade, onde contam sobre a interferência maléfica e ou
benéfica dos deuses, como nas histórias da Guerra de Tróia
(Aquiles x Páris) e das Aventuras de Ulisses ou Odisseu. A existência de
Homero é questionada assim como a de Sócrates. Homero era cego e há
controvérsias se ele viveu no século VIII a,C. ou IX a.C..
Interessante o fato de suas obras terem rompido as barreiras do tempo
e se perpetuado para além dele até os dias atuais. Suas obras foram
didáticas e importantes para as crianças da época, onde aprendiam
desde muito cedo à respeito dos deuses, do homem, das guerras e da
Civilização Micênica. Se ele existiu de verdade ou se é um
personagem criado, lendário, parece ser o menos importante tamanha a
importância de suas obras. Não se sabe ao certo a cidade onde
nasceu, podendo ser em quaisquer desses locais da Grécia Antiga:
Esmirna, Colofón, Atenas, Quios, Ítaca, Salamina, Rodas, e ou
Argos. Homero, assim como Sócrates, nunca escreveu uma linha sequer,
tendo suas obras escritas ou compiladas de tradições orais, por
outros escritores antigos do mesmo período. Essa consciência mítica
foi sendo aos poucos substituída, não em sua totalidade, mas
concomitante a ela, surgia a consciência teorizante ou racional.
Onde antes as pessoas eram tranquilizadas através da explicação
simplista da ira dos deuses (mitos ou mitopoética), frente aos
desconhecidos fenômenos da natureza, como secas, tempestades,
pragas, males, epidemias, esterilidade feminina, entre outros, agora
a mentalidade teorizante, viria a explicar de forma lógica,
racional. Onde antes só existiam como recurso os rituais e
cerimônias para agradar esses deuses coléricos, surge,
gradativamente, uma busca para além desse pensamento mítico,
limitador dos humanos e de sua racionalidade e habilidade para dar
conta no campo do concreto, uma luz na caverna, chamado "milagre
grego", como o aparecimento da escrita, da moeda, da lei e da
polis (cidades-estado). Não se pode precisar o momento dessa
transição do pensamento mítico para o pensamento racional e
filosófico, pois um não invalida nem extermina o outro, mas
tão-somente, possibilita que o mito não seja a única forma de se
ver e compreender o homem e o mundo.
Professora Mª Dirce
Barcelos Silva
Referências
Bibliográficas:
BUCKINGHAM, Will; at
all. O Livro da Filosofia. Editora Globo. São Paulo, 2011.
CABRAL, Cleides
Antonio; Filosofia, Editora Pillares, São Paulo,2006.
READ,Rupert;
Filosofia aplicada: política e cultura no mundo contemporâneo; São
Paulo, Rosari,ed. 2009
SMITH, William.
"Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and
Mythology. ed. (1870).
SPINELLI, Miguel.
Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da
Ciência Grega. 2ª Ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003
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