quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Passeio pelo Condominio
No dia do eclipse sai a caminhar pelo meu condomínio. O que vi, na verdade mais ouvi, foram pessoas como formigas em suas casinhas quadradas definidas pelo espaço das grandes cidades. Algumas cantando outras só trabalhando (de novo) em sua terceira jornada de trabalho. A lua estava espetacular digna de ser apreciada, vivida e gravada na memória. Memória que se vai no correr dos dias longos, exaustivos, quando tanto se corre pra chegar a lugar algum. Quantos poderiam ter saido de seus quadrados naquela linda noite e apreciar o belo presente da natureza, resultando em surpresa no dia seguinte quando souberam do eclipse. Que mundo "trabalhista" é esse que nos rouba o céu e as estrelas, o calor do sol, nos prendendo em suas salas escuras, obscuras e atabalhoadas de papéis que vão se perder no tempo mais cedo ou mais tarde. Nós permitimos o mundo nos consumir, até quando? Consumir nossa visão transformando-a em cegueira, nosso ouvidos quando não ouvimos a música natural do vento nas folhas. Estamos nos tornando seres do submundo, onde o sol nos cega, nos queima e pode nos destruir. Vampiros do dia em suas salas geladas, sarcófagos que fariam Conde Drácula repudiar. Me senti plena em meu passeio noturno pelo condominio a contemplar a lua solitária ante minha solidão.
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