O ser ou não ser, eis a questão, na homossexualidade, gera conflitos internos, externos e eternos, dores na alma. Dores e alegrias, pois o ser, estar em uma escolha sexual que difere da maioria é o que define o sujeito? Desde quando a opção sexual pode definir e limitar o sujeito? Então, é nisso que ele se resume? O ser transcende o estar naquela vibe. Somos únicos, irrepitíveis, magníficos em nossas limitações. Somos, estamos, vivemos pela via do outro, enquanto que viver por e para nós deveria nos bastar.
"O homem sexual cede todas as mulheres ao pai e assim se esquiva de qualquer conflito com ele; a mulher homossexual abandona todos os homens à mãe, prepara o terreno onde se atribui a missão de enfrentar o pai no próprio campo do desejo. Onde o homem homossexual desiste, a mulher homossexual, ao contrário, desafia o desejo paterno, disputando suas mulheres e a posse do falo ou de suas insígnias." Serge André
Na homossexualidade feminina, quando se presencia conflitos familiares ainda na infância e torna-se a defensora do sexo frágil, a figura do falo, o desejo de possui-lo e de enfrentamento ao agressor é tão mais forte que o preconceito que a cerca, que nada mais importa. O que vale é o bem estar da parte defendida e protegida, a mãe. Não ter o órgão masculino torna-se fator secundário, já que o falo imaginário é possuído e introjetado em algum momento variando entre a forma bruta e ou indelével. Não importa muito o momento da apreensão do falo desde que ele se encaixe, te abrace e nunca mais te deixe. O poder do falo, não do pênis propriamente dito, um coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, supera a feminilidade do sexo dito frágil. Posturas de autonomia quando possuidora do falo não retornam mais a fase original, a forma ou fôrma bruta, manipulada pela maioria, digo da sociedade machista. Diz-se do macho e da fêmea e de forma errônea, que o macho é forte e a fêmea fraca, sendo lêdo engano, pois só creio no ativo e no passivo. Quantos casais que nos cercam onde o homem passivo é dominado , digo isso não de forma pejorativa, pela mulher ativa a verdadeira detentora do falo na família. Ela é quem trabalha, quem sustenta, quem toma as atitudes, quem resolve tudo em todo o tempo com jornada tripla de trabalho, tendo que ser de boa a excelente profissional, exímia mãe e esposa e ainda tem de gozar a noite pro seu macho. Sim, gozar com gemidos e dizer que foi muito bom, senão não será uma mulher completa. Como a sociedade tem cobrado e colocado sobre os ombros de várias mulheres a responsabilidade de ser não só a ajudadora, mas a mulher perfeita, organizada e feliz. Sem contar que a bela, não pode ser fera, e tem que ter a beleza do corpo exigido pela midia. A mulher perfeita. Talvez por isso, digo talvez, muitas prefiram se travestir de homens, coçar o saco, cuspir na calçada a ter que seguir o estereótipo que mutilou, exterminou seu amor primeiro, a mãe.
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