Insistir ou desistir desse amor desamor, que torna o possível impossível, o viável em inviável?
Onde está você, surfista a andar sobre as ondas para os que te observam e ou a mergulhar em seus tubos onde ninguém te alcança e você pode ser você mesmo e cair da prancha, resvalar nos corais da vida, sangrar e expôr feridas que teima em esconder? Ah, voltou do mergulho e está de novo sob o sol, que te bronzeia e te mascara como a um, mais um em meio a multidão. Até quando vai manter aparências que custam tanto? São como emassar paredes úmidas, que quando caem, carregam consigo não só suas massas, mas também o reboco. Oh que triste ficar exposto, figura tão ilustre e intocável. Sem ondas, sem tubos, sem pranchas para te equilibrar, só você mesmo e quer coisa mais difícil surfista, do que olhar-se e ver-se de verdade? Desnude-se para a vida como se desnuda para o surf. Talvez assim tenha a chance de ser feliz.
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