terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um dia de chuva

Verão, praia, mormaço, um grupo de mulheres amadurecidas pela vida e na idade, rsrs, resolvem comemorar o aniversário de uma amiga em comum. De início o grupo parece estranho, mas depois de umas cervejas, coca-colas e guaranás tudo se torna mais fácil. O diálogo flui, a gargalhada é dada com facilidade. Entre plásticas, silicones e belezas a se contemplar, sempre surge a nostalgia do tempo passado, mas não perdido, vivido e nunca esquecido. Sempre me perguntava o por quê de pessoas mais velhas, coroas curtirem seus carros novos, viverem em passeios inacabáveis. Pra quê? dizia eu, depois de gasta a cútis, o olhar já embaçado, as pernas fracas, porque não ficam simplesmente em casa? Lêdo engano, agora com o olhar embaçado para as coisas fúteis se vê o melhor, com a surdez temporária, ouve-se a melodia das vozes amigas, com os passos curtos, anda-se devagar porque como diz Almir Satler, já corremos demais. Sorrimos agora de verdade, na essência, sem máscaras, sem delicadezas obrigatórias, não temos mais tanto tempo a perder. Nosso tempo é precioso, trabalhamos demais, merecemos o desfrute de andarmos na praia com nossas peles não de Giseles, mas de pessoas vividas e que sabem que cada pinta, cada sarda, cada cicatriz tem sua história. E que todas elas valeram a pena. Faz parte do meu show, meu amor, meu pobre moço novo Cazuza, que com tanta pressa foi-se tão cedo. O bom licor, o bom vinho, a boa cachaça, nunca saem direto do "forno" para o consumidor. Assim somos nós, precisamos amadurecer sem apodrecer, adoçar sem azedar, nutrir a beleza de uma vida vivida sem remorsos e sem culpas. Só viver, afinal não sabemos a hora de nossa partida. Viva bem de verdade. Foi isso que fez esse grupo de mulheres coroas, alegres e felizes cada uma a seu jeito, nessa linda tarde de chuva, tendo o mar como companhia e as sonoras gargalhadas a quebrar junto as ondas que iam e viam em busca de nossa companhia.

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